Como anteriormente dito, segue a aplicação do
método comparativo, ou o que chamamos em português de intertextualidade.
Queremos deixar claro que nossa intenção no presente estudo não é a de defender
esta ou aquela teoria sobre o fim dos tempos, pois a exegese nada afirma,
apenas expõe as possibilidades. Desta forma, exporemos simplesmente como os
textos se comunicam, sem nenhuma intenção homilética.
Boa consulta!
De Rei para reis:
uma visão dos tempos vindouros
Em Daniel capítulo 2, versículos 1-3; 5-6;
10, 12; 14-20; 23-47 temos a
interpretação do sonho de Nabucodonosor sobre coisas que hão de
acontecer, ou seja, a volta de Cristo.
O primeiro aspecto a ser destacado é o que
Daniel chama de últimos dias ou dias futuros e que em apocalipse 16: 14-16 vislumbra-se
como O grande dia do Deus Todo-Poderoso. Fato este que acontecerá
através de uma peleja e em um local já anunciado, como destaca o versículo 16: Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico
se chama Armagedom.
Este local encontra-se no Vale de Megido e já
foi palco de muitas guerras sanguinolentas (2 Rs. 9.27, 2 Rs. 23.29, Zc. 12.11).
Também mencionado como “vale da decisão"
(segundo Joel 3:14), ou "vale de Jeosafá" (Joel 3:2), encontra-se
estrategicamente posicionado em um local onde durante mais de quatro mil anos
aconteceram diversas batalhas decisivas na história do antigo Israel. Local
este, composto por um grande descampado, tendo seu valor militar reconhecido
até mesmo por Napoleão Bonaparte (grande estrategista na arte militar como se
sabe) e assim sendo, perfeito para a Guerra Santa e o juízo de Deus, o Sagrado versus o profano.
O segundo aspecto do sonho de Nabucodonosor
foi uma estátua grandiosa e de terrível aspecto. Assim como muitos reinados já
existentes, grandiosos no poder e terríveis na opressão ao povo.
Vislumbrar-se-á mais profundamente cada um
desses reinos a partir das divisões corporais presentes no próprio sonho.
- A cabeça
feita de ouro puro – diz respeito a um reino muito próspero, visto
que ouro na antiguidade sempre fora
arquétipo de grande riqueza. Também podemos considerar o mesmo com muitas
habilidades intelectuais, representado no sonho pela cabeça. Assim, como o próprio Daniel dissera, a
cabeça expunha toda a força e imponência do império de Nabucodonosor, ou
seja, a Babilônia.
- O peito
e os braços (tronco) – O tronco da estátua possui dois braços, ou a nosso
ver, dois impérios. Historicamente falando podemos considerar o império
que conquistou a Babilônia em aproximadamente 538 a.C. O mesmo fora
constituído por uma aliança entre
dois povos, os medos e os persas. Tais povos eram hábeis com as mãos,
especialistas em trabalhos manuais e construção. Foram retratados pela
prata por serem inferiores ao reinado Babilônico “de ouro”.
- Ventre –
Após o império medo-persa emerge no cenário histórico a ascensão da
Grécia. De povo totalmente hedonista, quer dizer, erotizado, voltado as
coisas do prazer. Sensualidade esta retratada por um ventre. Tal parte da
estátua também faz alusão a figura da Terra-mãe na fertilidade telúrica
defendida pelos gregos e outros povos antigos, representada na mitologia
grega por Afrodite que possuia um culto especial no templo de Corinto,
onde praticava-se a prostituição religiosa, uma forma de culto a deusa.
Expressando dessa forma a autosuficiencia mítica da mulher. Eram retratados pelo bronze, inferior aos
metais anteriores, por serem fracos no tangente militar, embora poderosos
culturalmente.
- Duas
pernas longas – contituídas de ferro, representava no sonho de Nabucodonosor o império que mais tempo
permaneceu no poder: Roma. Os membros inferiores ilustram a divisão do
reino – Império Oriental
e Ocidental. Também ao que alude a figura
foi o mais próspero de todos e o que mais benefícios trouxe aos governados, uma vez, qua criaram
estradas e implementaram a navegação. Após este reinado nenhum outro se
constituiu com tamanha força.
- Pés com
partes de ferro e partes de barro – esta figura do sonho prefigura os dias atuais onde vários
poderes (reinados) comandam diversas nações mas nenhuma com mão forte o
suficiente para governar o mundo. Alguns fortes como ferro, outros frágeis
como barro mantém-se em alianças para que se sustentem mas logo hão de
ruir.
Posteriormente a essa imagem uma pedra surge
ferindo a estátua. Mas antes da pedra outros eventos acontecerão, eventos aos
quais Deus não anunciou a Nabucodonosor, mas revelou-lhes posteriormente a
Daniel.
Ao analisar a última parte da estátua nota-se dez
dedos nos pés representando dez reis, ou melhor, nações que segundo Daniel
estabelecerão uma aliança com o Anticristo a fim de manter-se.
Esse governante conseguirá até mesmo a paz entre
Israel e a Palestina numa aliança de sete anos, mas na metade desse tempo o
mesmo romperá o acordo e mostrará a sua face.
Com muitos ele fará uma
aliança que durará uma semana. No meio da semana ele dará fim ao sacrifício e à
oferta. E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que
chegue sobre ele o fim que lhe está decretado”. (Dn. 9:27).
O período que é dado em Apocalipse por meses, em
Daniel é dado por dias, onde cada dia prefigura um ano e, assim sendo na metade
dos anos, ou seja, três anos e meio, o acordo será rompido e o povo de Deus
perseguido.
Não deixem que ninguém os
engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será
revelado o homem do pecado, o filho da perdição.
Este se opõe e se exalta
acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, chegando até a
assentar-se no santuário de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus. (2 Tes.
2:3,4)
Quando as províncias mais
ricas se sentirem seguras, ele as invadirá e realizará o que nem seus pais nem
seus antepassados conseguiram: distribuirá despojos, saques e riquezas entre
seus seguidores. Ele tramará a tomada de fortalezas, mas só por algum tempo.
O rei fará o que bem
entender. Ele se exaltará e se engrandecerá acima de todos os deuses e dirá
coisas jamais ouvidas contra o Deus dos deuses. Ele terá sucesso até que o
tempo da ira se complete, pois o que foi decidido irá acontecer.
Ele não terá consideração
pelos deuses dos seus antepassados nem pelo deus preferido das mulheres, nem
por deus algum, mas se exaltará acima deles todos. (Dn. 11: 24, 36-37).
João em apocalipse (13: 1-7) já falava sobre o
tempo do fim:
1 Vi uma besta que saía
do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças, com dez coroas, uma sobre cada
chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia.
2 A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés
como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu
trono e grande autoridade.
3 Uma das cabeças da
besta parecia ter sofrido um ferimento mortal, mas o ferimento mortal foi
curado. Todo o mundo ficou maravilhado e seguiu a besta.
4 Adoraram o dragão, que
tinha dado autoridade à besta, e também adoraram a besta, dizendo: “Quem é como
a besta? Quem pode guerrear contra ela?”
5 À besta foi dada uma
boca para falar palavras arrogantes e blasfemas, e lhe foi dada autoridade para
agir durante quarenta e dois meses.
6 Ela abriu a boca para
blasfemar contra Deus e amaldiçoar o seu nome e o seu tabernáculo, os que
habitam nos céus.
7 Foi-lhe dado poder para
guerrear contra os santos e vencê-los. Foi-lhe dada autoridade sobre toda
tribo, povo, língua e nação.
8 Todos os habitantes da
terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes
escritos no livro da vida do Cordeiro.
Assim como na interpretação de Daniel os pés
possuem 10 dedos representando dez governantes, João em apocalipse também fala
de dez coroas aludindo à aliança que o Anticristo fará com 10 nações.
Em apocalipse o Anticristo apresenta-se veloz e
astuto como um leopardo, forte e imponente como um urso e assim como o leão
governa a selva seu rugido percorre a
mata, será esse de grande eloquência na fala, governando assim sobre toda a
terra. E todo esse poder ser-lhe-á dado por Satanás.
Ele agirá por 42 meses, ou seja, três anos e meio,
como anteriormente mencionado, afligindo os santos de Deus, perseguindo,
matando e forçando a todos da face da terra que o adorem. Se aqueles dias não fossem
abreviados, ninguém sobreviveria; mas, por causa dos eleitos, aqueles dias
serão abreviados. (Matheus 24:22).
Como o próprio Nabucodonosor fez com os amigos de
Daniel; Azarias, Misael e Ananias, forçando-os a adorar uma estátua de rei de
reis (sua própria), assim também acontecerá nos tempos vindouros, onde o
Anticristo fará com que todos o adorem, forçando todos a possuírem sua marca. E
aqueles que negarem-se terão o mesmo destino dos amigos de Daniel, ou seja,
serão dados à morte. Contudo Deus os arrebatará e prepará-los-ão para a grande
batalha: o Armagedom.
Da mesma maneira como um quarto
homem passeava na fornalha com eles há de acontecer à vinda do Rei dos reis, a
pedra angular, o alfa e o ômega, a pedra cortada sem o auxílio de mãos que
destruiu a imponente estátua do sonho de Nabucodonosor, ou seja, Jesus Cristo.
4 À medida que se
aproximam dele, a pedra viva rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e
preciosa para ele ]
6 Pois assim é dito na
Escritura:“Eis que ponho em Sião uma pedra angular,escolhida e preciosa,e
aquele que nela confia jamais será envergonhado”.
7 Portanto, para vocês,
os que crêem, esta pedra é preciosa; mas para os que não crêem,“a pedra que os
construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”,
8 e, “pedra de tropeço e
rocha que faz cair”.Os que não crêem tropeçam, porque desobedecem à mensagem;
para o que também foram destinados.
( 1 Pe. 2.4,6-8)
Logo após a pedra destruir a imagem, diz
Daniel ao rei da Babilônia que a mesma tornou-se uma prodigiosa montanha que
encheu toda a Terra. Ao ler atentamente Zacarias (14. 4-9) pode-se apreender
melhor o significado dessa montanha que enche a Terra.
4Naquele dia os seus pés
estarão sobre o monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém, e o monte se
dividirá ao meio, de leste a oeste, por um grande vale; metade do monte será
removido para o norte, e a outra metade para o sul.
5 Vocês fugirão pelo meu
vale entre os montes, pois ele se estenderá até Azel. Fugirão como fugiram do
terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então o SENHOR, o meu Deus, virá com
todos os seus santos.
7 Será um dia único, um
dia que o SENHOR conhece, no qual não haverá separação entre dia e noite,
porque, mesmo depois de anoitecer, haverá claridade.
9 O SENHOR será rei de
toda a terra. Naquele dia haverá um só SENHOR e o seu nome será o único nome.
Segundo as escrituras, o primeiro lugar da
aparição de Jesus será onde o mesmo ascendeu aos céus, ou seja, no Monte das
Oliveiras. Diz no capítulo 14 de Zacarias versículo 4, como pode-se observar
acima que o Monte será rasgado, dividido ao meio. Esse evento fará com que
todos os olhos estejam voltados para Israel e assim possam ver a glória de
Deus.
Nesse momento Jesus reunirá o povo:
11 Vi os céus abertos e
diante de mim um cavalo branco, cujo cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro. Ele
julga e guerreia com justiça.
12 Seus olhos são como
chamas de fogo, e em sua cabeça há muitas coroas e um nome que só ele conhece,
e ninguém mais.
13 Está vestido com um
manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus.
14 Os exércitos dos céus
o seguiam, vestidos de linho fino, branco e puro, e montados em cavalos
brancos.
15 De sua boca sai uma
espada afiada, com a qual ferirá as nações. “Ele as governará com cetro de
ferro.” Ele pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso.
16 Em seu manto e em sua
coxa está escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES.
19 Então vi a besta, os
reis da terra e os seus exércitos reunidos para guerrearem contra aquele que
está montado no cavalo e contra o seu exército.
20 Mas a besta foi presa,
e com ela o falso profeta que havia realizado os sinais miraculosos em nome
dela, com os quais ele havia enganado os que receberam a marca da besta e
adoraram a imagem dela. Os dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde
com enxofre.
21 Os demais foram mortos
com a espada que saía da boca daquele que está montado no cavalo. E todas as
aves se fartaram com a carne deles.
Após a derrota da besta, (a destruição de
toda a estátua a partir dos pés), não mais haverá guerra. E começará o milênio
de Deus. Onde Satanás nenhum mal poderá fazer aos homens. Por um tempo.
Ele julgará entre as
nações e resolverá contendas de muitos povos. Eles farão de suas espadas
arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não mais pegará em armas para
atacar outra nação, elas jamais tornarão a preparar-se para a guerra. (Is. 2.4)
A terra arrasada será
cultivada; não permanecerá arrasada à vista de todos que passarem por ela.
Estes dirão: ‘Esta terra
que estava arrasada tornou-se como o jardim do Éden; as cidades que jaziam em
ruínas, arrasadas e destruídas, agora estão fortificadas e habitadas’. (Ez. 36.
34:35)
O lobo viverá com o
cordeiro, o leopardo se deitará com o bode, o bezerro, com leão e o novilho
gordo pastarão juntos e uma criança os guiará.
A vaca se alimentará com
o urso,seus filhotes se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi.
A criancinha brincará
perto do esconderijo da cobra, a criança colocará a mão no ninho da víbora.
Ninguém fará nenhum mal,
nem destruirá coisa alguma em todo o meu santo monte, pois a terra se encherá
do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar. (Is. 11.6-8).
Desta forma todos os escolhidos de Deus,
indiferente de suas nacionalidades viverão em paz. Como o lobo vive com o
cordeiro, os palestinos viverão com os israelitas, assim como o leopardo se
deitará com o bode, os Albaneses e Sírios viverão em paz na Ioguslávia. Pois a
estátua de terrível aspecto já não mais existirá e a frondosa montanha acima de
todos reinará.
Conclusão
Este
ensaio sem maiores pretenções visou explicitar o método comparativo,
enaltecendo sua importância no estudo da fenomenologia religiosa atual,
abrangendo alguns dentre muitos arquétipos presentes, no que a Bíblia chama de Armagedom, sob a óptica do que foi
revelado a Nabucodonosor. Muitas leituras podem ser feitas tanto do livro de
Daniel quanto Apocalipse. Há estudiosos que defedem a vertente de que tais
fatos já ocorreram. Que João em Apocalipse falava do Império Romano. Que o
livro de Daniel teria sido escrito posteriormente para justificar fatos
históricos. Enfim, muita gente fala muita coisa e cada qual interpreta os
livros como os convém. O fato é que o imaginário apocalíptico do fim do mundo
não é uma “novidade” judaica-cristã, sendo recorrente em diversas culturas.
Caminhamos na ideia de que tanto Daniel como Apocalipse convergem de alguns
eventos que já se iniciaram, estão ocorrendo e outros que ainda virão. Seja
como for, nossa pretenção é a de apenas apresentar o método comparativo e não
de defesa teóricas.
Logo, ao
aplicar o método comparativo com diversos textos que abordam a mesma temática,
mais proveito obteve-se, uma vez que pôde-se extrair deles uma significação
mais abrangente. Pois embora cada texto pesquisado tenha narrativas diferentes,
todos apontam para um ponto em comum: o juízo final de Deus sobre os homens.
Podendo assim destacar os pontos de contato, pois em todos os textos
percebe-se:
- Dez nações reunidas através de um
pacto (aliança);
- Que a vinda de Cristo está cada dia
mais próxima.
- Que a pedra angular destruirá todos
os reinados de homens.
- Que haverá um grande evento
geológico em que todos na terra verão a vinda de Cristo.
- Após um período de grande
destruição haverá uma grande paz na terra.
- Já não mais existirá a luta de
etnias pois todos viverão em paz.
Logo, a intertextualidade veio como uma
complementariedade do texto base para uma maior abrangência do assunto. Assim
pode-se dislumbrar várias vertentes sobre a vinda de Cristo e a salvação dos
seus santos, ditas de maneiras diversas mas portadoras da mesma mensagem. E
nesse sentido o método comparativo não só apreede melhor o sentido do texto
base como preenche lacunas do mesmo através dos textos complementares.
BIBLIOGRAFIA
CARVALHAL, Tania Franco. Literatura comparada. 4. ed. Editora Ática. São Paulo: 2004.
ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano: a essência das
religiões. Martins Fontes. São Paulo:1995.
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Mito e Realidade. Editora
Perspectiva. 3ª ed. São Paulo: 1991.
Internacional
Biblie Society, NIV, Editora Vida,
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INTERNET
Wikipedia
Dicionário